14.9.17

Chaetogastra cristaensis F.S.Mey & R.Goldenb. sp. nov.

Nova espécie é descrita para o Monte Crista e já é considerada criticamente ameaçada de extinção


A planta pertence a família Meslastomataceae, que possui muitas espécies na América do Sul, sendo reconhecida principalmente pelos Jacatirões e Pixiricas (Tibouchina sp., Miconia sp. e Leandra sp.). A espécie em questão é um pequeno arbusto com crescimento simpodial de 30-70 cm de altura, de folhas opostas com 3.2–8.3 × 1.1–4.3 cm (comp. x larg.), de consistência cartácea, lâminas ovadas ou elíptico-ovadas e flores de cor púrpura com 4-5 pétalas.

A espécie foi descrita em 2016 pelos pesquisadores e botânicos FABRÍCIO SCHMITZ MEYER (Universidade Estadual de Campinas) e RENATO GOLDENBERG (Universidade Federal do Paraná) e já é considerada criticamente em perigo pelos critérios da IUCN. O artigo pode ser acessado pelo seguinte link https://biotaxa.org/Phytotaxa/article/view/phytotaxa.282.4.1. As informações desse post foram retiradas integralmente, porém em nova linguagem, do artigo dos pesquisadores citados.

As populações desta espécie são extremamente restritas, ocorrendo basicamente entre o topo do Monte Crista e a Pedra da Cabeluda, na Serra Quiriri, município de Garuva, Santa Catarina, sendo portanto de distribuição em áreas não protegidas por Unidades de Conservação efetivas, e onde acontecem atividades de camping com centenas de frequentadores nos finais de semana e feriados, e consequentemente excessiva coleta de lenha, basicamente de arbustos campestres, (incluindo a espécie assunto do post) bem como uso tradicional do próprio fogo na localidade como renovador de pastagens e que as vezes sai de controle dos pecuaristas locais e também dos campistas.

Pelos motivos descritos acima, é de suma importância aos conhecedores e apreciadores das belezas naturais da região, tornar-se ciente desses fatos, imaginar que não é a única espécie nessas condições, pois tem-se muito ainda ha descobrir e esforçar-se para uma mudança geral na forma de pensar, utilizar e usufruir do ambiente que nos rodeia. Que tal fato seja divulgado e que as autoridades diversas tomem conhecimento disso é uma missão de todos.

Agradeço desde já aos que puderem compartilhar e divulgar tais informações.

Referência

FABRÍCIO SCHMITZ MEYER & RENATO GOLDENBERG 2016. Four new species of Chaetogastra (Melastomeae, Melastomataceae) from Southern Brazil. Phytotaxa 282 (4): 239–258.

31.8.17

Symplocos corymboclados Brand - Mais uma espécie ameaçada de extinção para a serra Quiriri.


      Revisando o material botânico coletado durante a elaboração do projeto de mestrado sobre Myrtaceae na serra Quiriri, pode-se constatar a existência de mais uma espécie ameaçada de extinção, que havia sido erroneamente determinada como Asteraceae sob o número F. C. S. Vieira 2058, próximo ao Morro Quiriri, sendo também encontrada pelos botânicos R. Reitz e R. M. Klein na mesma região e no Monte Crista  preferencialmente entre 800 e 1.400 m acima do nível do mar (Aranha Filho & Martins 2011).


                                                                                                   
     Trata-se de uma família botânica menos conhecida, Symplocaceae, sendo um arbusto até árvore que alcança de 1-10 m de altura, a Symplocos corymboclados Brand é considerada ameaçada de extinção na categoria "em perigo" pelo Centro nacional de Conservação da Flora (CNCFlora_S_corymboclados). Outras imagens pode ser acessadas no portal da FURB junto ao projeto REFlora (JBRJ, Exsicatas_FURB, Coleta_morro_dos_perdidos)
    
     Tal fato incrementa ainda mais a importância da serra Quiriri como um lugar de alta diversidade e com ocorrência de diversas espécies ameaçadas de extinção e endêmicas.

Referências:

- Aranha Filho, J. L. & A. B. Martins. Simplocáceas. Flora ilustrada Catarinense, Itajaí, herbário Barbosa Rodrigues. 2011.

- CNCFlora. Symplocos corymboclados in Lista Vermelha da flora brasileira versão 2012.2 Centro Nacional de Conservação da Flora. Disponível em http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/profile/Symplocos corymboclados>. Acesso em 31 agosto 2017.

- JBRJ - Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Jabot - Banco de Dados da Flora Brasileira. Disponível em: [http://jabot.jbrj.gov.br/]. Acesso em 31/08/2011. (http://furb.jbrj.gov.br )



6.10.10

Novas Ocorrências em Myrtaceae na Serra Quiriri

Depois de uma boa espera, saiu o artigo sobre novas ocorrências de Myrtaceae na Serra Quiriri. Tratam-se de duas espécies que possuíam registros de distribuição no estado do Paraná, muito próximo a divisa com Santa Catarina, e nunca haviam sido encontradas neste estado. Foram coletadas amostras entre os anos de 2004 e 2005, e o material coletado pode ser encontrado no Herbário Joinvillea da Universidade da região de Joinville.

A revista check-list, é disponibilizada em meio eletrônico através do seguinte link: check-list, e tem por objetivo divulgar listagens de espécies e novidades sobre ocorrências na sua distribuicão. O artigo pode ser acessado diretamente através do link: http://www.checklist.org.br/getpdf?NGD034-09.

19.8.10

Araucária o Pinheiro Brasileiro

Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze
Majestosa por excelência, árvore símbolo do estado do Paraná, fonte de alimento para mamíferos e pássaros, bem como para a população humana, e de longa data, pois além dos Guaranis, Kaingangs e Xoklengs, que foram os Ameríndios encontrados no que chamamos atualmente de estado de Santa Catarina, também foram descobertos vestígios de Amido nos dentes de Sambaquianos, e o mesmo, foi identificado como típico e oriundo das sementes de Araucária. Sua distribuição geográfica está localizada principalmente nas regiões de planalto dos estados do Sul e Sudeste do Brasil, alcançando ocasionalmente a vertente Oeste da Serra do mar.

Sua ocorrência na região denominada Alto Quiriri (acima de 1200 m snm) é controversa, e provavelmente acindental, ou proposital, pois na região dos Campos de Altitude a espécie não é encontrada de forma natural, ou nativa. Indivíduos isolados tem sido encontrados nos Campos, especialmente em locais de acampamento, como pode ser observado nas fotos em preto branco realizadas pelo senhor Dagoberto, montanhista que conheceu a Serra Quiriri na dácada de 1950, e registrou de forma pioneira e audaciosa, imagens que hoje são uma verdadeira pérola para a história local. Em especial, estas duas fotos em preto e branco, mostram um indivíduo, na região conhecida como chato do Quiriri, onde existiu um rancho de pedra, e era ponto de parada para os tropeiros que realizavam a travessia da Serra Quiriri, conduzindo gado, e que encontravam nesta região uma localidade apropriada para descanso e pastagem num relevo suave para os animais. Nas viagens do planalto para o litoral, seria comum levar Pinhão de Araucária para se alimentar ao longo do caminho.

Nas fotos realizadas pelo Sr Dagoberto em 1957, é possível observar um indivíduo, crescendo na região do rancho de pedra, com uma altura provável entre 6-10 m. Atualmente, na mesma localidade, existem 2 indivíduos (primeira foto, 2005), sendo possível que o de maior altura seja o mesmo registrado em 1957, o que também evidenciaria que a espécie não apresenta o desenvolvimento esperado neste tipo de ambiente, pois estudos (Scheeren et al. 1999) relatam valores médios de crescimento anual, de 40-50 cm de altura, portanto se estivesse numa região ecológica favorável ao seu crescimento, deveria ter atingido uma altura superior aquela observada atualmente.


Ao lado, um esboço da distribuição geográfica esperada para Araucária (em marrom) na região Oeste da Serra Quiriri. Mapa elaborado com o programa DIVA-GIS, disponível para download no seguinte link: (http://www.diva-gis.org/download)




Referências


Scheeren, Luciano Weber; Finger, César Augusto Guimarães; Schumacher, Mauro Valdir & Longhi, Solon Jonas. 1999. CRESCIMENTO EM ALTURA DE Araucaria angustifolia (Bert.) O. Ktze. em TRÊS
SÍTIOS NATURAIS, NA REGIÃO DE CANELA - RS, Ciência Florestal, Santa Maria, 9(2) 23-40.

13.8.10

Aves II

Esse é o Gaturamo verdadeiro (Euphonia violacea (Linnaeus, 1758), um apreciador de Bananas, que pode ser observado na região de Floresta Ombrofila Densa Submontana e de Terras Baixas, como na localidade onde foi realizada a fotografia (Três Barras, junto a ponte de arame, na travessia para a trilha do Monte Crista). Confira uma amostra dos diversos tipos de sons produzidos por esta ave AQUI. Mais informações sobre a a espécie podem ser encontradas em


4.8.10

Que pássaro é esse??

Um canto triste e melodioso ecoa pelos Campos de Altitude da Serra Quiriri, quem seria essa criatura? que interpreta com sua capacidade de expressão sonora, de forma tão apropriada, sentimentos tipicamente humanos experimentados nestes ambientes, como solidão e melancolia... Ali, e mais adiante, aquele pássaro azul, cuja identidade obscura, desafia biólogos que transitam pela localidade, visita os afloramentos de granito, e a periferia da Floresta, espreitando pequenos seres, e aproveitando o frutos da mãe terra.

Inúmeras são as aves que habitam a serra Quiriri, e nas linhas seguintes serão descritas, algumas das principais penosas avistadas, bem como identificadas pelo som, que puderam ser registradas na localidade nos últimos 15 anos.

Nos Campos de Altitude, andando-se com cuidado e silêncio, é possível deparar-se com a Perdiz (Rhynchotus rufescens) que ao avistar a criatura denominada Homo sapiens, dispara em voo alucinante e rasante, rumo ao primeiro vale que lhe possa abrigar e proteger. Segundo o conhecimento popular, esta ave realiza três vezes o comportamento descrito, e em seguida ocorre uma espécie de "cansaço", estratégia pela qual este animal, seria muitas vezes abatido de forma ilegal.
Confira AQUI uma amostra de som típica da espécie, gravada em Bom Jardim da Serra, Santa catarina (Fonte: xeno-canto.org).



Nas Florestas, desde uns 100 m anm (metros acima do nível do mar) até aproximadamente 800-900 m anm é possível escutar um Juiz ressoando seu apito, talvez Juiz de paz, pois sua
presença indica uma relativa preservação, conhecido popularmente como Inhambú Guaçú (Crypturellus obsoletus), essa ave ratita (que não voa) pode ser escutada junto ao rio três Barras em região próxima aos campos. Informações sobre as espécies de Inhambú do Brasil podem ser apreciadas no seguinte link: espécies brasileiras de Inambú no programa Cantores bons de bico. O Inambú que tipicamente habita a região da serra Quiriri pode ser apreciado AQUI, amostra de som oriunda de São Paulo, serra de Paranapiacaba (Fonte:xeno-canto.org).

Nos arbustos de Psychotria nuda Wawra, entre altitudes de 100 e 400m anm, saltita uma criatura azulada entre os ramos, e ela não está sozinha, existem outro indivíduos, geralmente 3-5, em ritual de acasalamento, cortejando, dançando e disputando uma fêmea, trata-se do Tangará-brasa ou Tangará-dançador
(Chiroxiphia caudata) Confira algumas curiosidades e os sons típicos desta ave AQUI.


Ameaçado de extinção o Macuco (Tinamus solitarius) é uma das aves mais características das encostas íngremes da serra do Mar. Contam os mateiros, que repete três vezes seu pio e em seguida se empoleira para dormir, comportamento observado pelos caçadores para abater a ave. A espécie arbórea, denominada Pau-macuco (Bathysa meridionalis) é considerada como lugar típico de pouso, e o contorno das enormes folhas desta espécie lembram sua silhueta, sendo possível uma ave abrigar-se da chuva, sob uma única folha. O som de Macuco característico da região da serra Quiriri, é semelhante ao do seguinte ÁUDIO registrado em Linhares, no Espírito Santo (Fonte:xeno-canto.org).

Tucano de bico verde Ramphastos dicolorus
Aquele que escuta este ser vivo vocalizando na Floresta, pode acreditar, em um determinado tempo irá chover, podem ser em duas ou doze horas, estes animais costumam ser observados com mais freqüência quando a temperatura começa a esquentar. Na serra Quiriri, é encontrado na trilha que conduz ao Monte Crista, na encosta Atlântica priamente dita, em altitudes que variam dos 50 aos 500 m anm. Saiba mais sobre os as espécies brasileiras de Tucanos no programa Cantores bons de bico. O som característico do Tucano de bico verde pode ser reproduzido AQUI, amostra de som oriunda de São Paulo, serra de Paranapiacaba (Fonte:



Citar a serra Quiriri, bem como seus ambientes de altitude, e não comentar sobre o Corócoxó (Carpornis cucculata), seria uma erro, pois esta ave, é pouco avistada, porém muito escutada, servindo como um indicador de altitude para os montanhistas que exploram a região, pois ocorre, tipicamente acima de 500 m até aproximadamente 1000 m anm. Seu canto onomatopéico (cujo som se assemelha ao nome da ave) é muito característico, pelo qual é facilmente reconhecida na mata. Para conferir o som produzido por esta ave clique AQUI. Som gravado em na RPPN Prima Luna, Nova Trento, Santa Catarina (Fonte: xeno-canto.org).

Caminhando serra acima, é possível encontrar o Urú (Odontophorus capueira), ave também ratita, semelhante a uma codorna, e característica pela cor avermelhada que circunda os olhos, bem como pela cor parda que cobre a cabeça. Emitem som muito pitoresco, geralmente em grupo, lembrando, a grosso modo uma sirene. AQUI voce pode conhecer o canto típico desta espécie, amostra de som oriunda do Ceará, serra do Baturité (Fonte:xeno-canto.org).



12.2.10

O Aspecto do Fogo nos Campos de Altitude.

Recentemente a Serra Quiriri foi acometida por um incêndio, noticiado nos principais meios de comunicação da região, o que causa espanto na sociedade como um todo. Apesar dos prejuízos que o fogo acarreta quando da sua ocorrência, como um aumento na fragilidade do solo, pela perda de sua cobertura, pois as plantas atuam como uma espécie de "grampeador", estabilizando encostas íngremes, e, atuam com mais eficiência ainda, quando diferentes tipos de raízes trabalham em conjunto, como pode ser observado, em uma figura bem didática, extraída do livro de Körner & Spehn, que trata de biodiversidade em montanhas. Outra característica negativa, é a possibilidade de abertura de uma "porta de entrada" para espécies exóticas, ou mesmo nativas invasoras, como relatado em palestra, pelo pesquisador Gustavo Martinelli, no Congresso nacional de Botânica de 2009, realizado em Feira de Santana - BA. O estudioso citado, trabalha há décadas em Campos de Altitude e vegetações associadas, e, destacou também em palestra, a Serra Quiriri, como um dos importantes fragmentos de Campos de Altitude do Sul e Sudeste do Brasil.


Quanto ao aspecto do fogo ser uma característica de ocorrência Natural ou não, é um tema extremamente polêmico,e, a maioria dos estudiosos possuem opiniões diferentes quanto ao assunto. É interessante ressaltar, que através de observações durante uma década e meia na Serra Quiriri, não é raro encontrar diferentes camadas de solo em determinados trechos da estrada de Três Barras, como Stone lines, incrustações ferruginosas, e vestígios de material negro de várias possíveis origens. Outras características observadas, são o aumento de espécies com raízes de estruturas subterrâneas associadas, ou ainda espécies como Altroemeria amabilis, que é endêmica do Alto da Serra do Mar no Paraná, e, em Santa Catarina, só ocorre na Serra Quiriri, mas esconde suas gemas vegetativas sob o solo; ora, isso não é uma prova de que o fogo é natural em campos de Altitude, mas, talvez seja um dos indícios.

Acima uma representante da Família Eriocaulaceae, conhecida pelos montanhistas popularmente como Sempre vivas, pois rebrotam após queimadas, como observado nesta foto de 2005 na Serra Quiriri.

18.12.09

Nova espécie descrita recentemente

Polygala altomontana Lüdtke, Boldrini & Miotto

Em 2008 foi descrita uma nova espécie de Polygalaceae, ocorrente no estado de Santa Catarina, na Serra Quiriri, em Garuva, e na subida ao Campo dos padres em Urubici, bem como no estado do Paraná, no morro Camacuã em Campina Grande do Sul e no município de Jaguariaíva.

Seu habitat são os campos de Altitude, entre 900m e 1700m snm (sobre o nível do mar), e, na serra Quiriri, sua ocorrência foi registrada junto ao rio do Alemães .

Fonte: Raquel LüdtkeContact Information, Ilsi Iob Boldrini & Silvia Teresinha Sfoggia Miotto. Polygala altomontana (Polygalaceae), a new species from southern Brazil, Kew Bulletin, Volume 63, Number 4 / December, 2008

2.6.09

Projeto "duvidoso" sobre matas ciliares















Na esquerda do rio, o presente.....

Na direita ....

É como será, se o catastrófico projeto for aprovado

Para saber mais leia o artigo de RICARDO HENRIQUE CARDIM, que tem experiência em reflorestamento com espécies nativas e em matas ciliares.

http://matasciliares.wordpress.com/2009/06/01/projeto-criminoso-apresentado-pelo-deputado-valdir-colatto-pmdb-sc/#comment-30

20.5.09

Campos de Altitude Ameaçados!

Classificados como: refúgios vegetacionais ou comunidades relíquias, por Veloso e colaboradores (1992), e denominados de Campos de Altitude, ou High Altitude Fields, ou ainda, Campos Altomontanos, formam uma comunidade vegetal, muito distinta da vegetação que os circunda, aliado ao fato de ocorrerem de forma descontínua, estes ambientes tem espécies endêmicas de plantas, já descritas pela ciência, e grande diversidade de anuros e insetos. No mesmo trabalho de Veloso e col. (1992) denominado "Classificação da vegetação Brasileira", descreve-se que as comunidades relíquias são comuns acima de altitudes de 1800m. Com base nestas informações, algumas pessoas deduzem que apenas acima destas cotas altimétricas, estariam ocorrendo os Campos de Altitude, resultado da falta de conhecimento técnico sobre a vegetação catarinense. O melhor exemplo na região Nordeste do estado de Santa Catarina, é o Monte Crista, localizado a Leste da Serra Quiriri, nas encostas Sul desta montanha, os Campos de Altitude ocorrem próximo da cota 900m anm, e, além disso, no estado de São Paulo, existe o caso, de ocorrência a 300m anm. Diante destas constatações, seria muito prudente, que as pessoas que regem as leis, e todos nós que as devemos cumprir, discutam a criação das novas leis ambientais no estado de Santa Catarina, pois ao que tudo indica, além de todos os incovenientes que já tem demonstrado, a proposta de alteração das leis ambientais catarinenses, acabaria por extinguir os Campos de Altitude entre 900 e 1538m anm, ocorrentes na serra Quiriri, juntamente com sua biodiversidade, em grande parte desconhecida, e seus recursos hídricos.

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Para acessar o Manual Técnico da Vegetação Brasileira

http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/monografias/GEBIS%20-%20RJ/ManuaisdeGeociencias/Manual%20Tecnico%20da%20Vegetacao%20Brasileira%20n.1.pdf

19.4.09

19 de Abril, dia do índio

Outrora chamada serra Iquererim (Reitz 1965), a serra Quiriri, tem na origem de seu nome, o conhecimento, e uma descrição dos indígenas que aqui habitavam, em especial povos de origem tupi-guarani, denominados Carijós, aqueles que viviam na faixa litorânea do sul de São Paulo, até a Lagoa dos Patos, ou ainda guarani mbya, que para muitos autores, fazem parte, da mesma descendência genética. Temos ainda como herança dos indígenas locais, o conhecimento sobre a denominação de diversos topônimos, bem como de plantas e animais.
Quiriri, significa silêncio, sossego, ou ainda "lugar silencioso". Quando acrescentado de um "i" no início da palavra, pode ser interpretado como "rio do lugar silencioso".

Para saber mais sobre vocábulos guaranis:
Pequeno dicionário Tupi-Guarani de um Manezinho - http://www.ufsc.br/~esilva/Dcindio.html

17.4.09

17 de abril - Dia Nacional da Botânica

Durante cerca de três anos, von Martius percorreu, ao lado do zoólogo alemão Johann Baptiste von Spix (1781-1826), aproximadamente dez mil quilômetros pelo interior do Brasil, recolhendo informações sobre a flora e a sociedade brasileira. Em 1820, voltaram à Alemanha, onde começaram um esforço de catalogação e publicação do material aqui recolhido.
O dia é dedicado ao botânico alemão Carl Friedrich Phillipp von Martius, consagrado o "Pai das Palmeiras" no Brasil. Um dos naturalistas mais famosos do século XIX, von Martius nasceu no dia 17 de abril de 1794 e chegou ao Brasil no dia 15 de julho de 1817, como parte de uma comitiva de intelectuais que acompanhava dona Leopoldina, esposa de dom Pedro I. Em três anos de estudos, ele explorou 12 mil espécies da flora brasileira. Até a data de sua morte, foram catalogadas 300 mil espécies do mundo inteiro, sendo a metade existente na bacia Amazônica. Phillipp von Martius morreu em 1868. O decreto que instituiu uma homenagem a ele também declarou a carnaúba, considerada a palmeira brasileira, como planta-símbolo do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro.

Fontes:

8.4.09

Erradicação de Pinus elliottii

Introduzida para fins comerciais, o Pinus elliottii, é uma espécie exótica no Brasil, e tem produzido alguns problemas ambientais. Nos Campos de Altitude da Serra do Mar, a espécie tem literalmente infectado o ambiente, dispersando-se através do vento e colonizando os Campos, consequentemente, causando sombreamento, em um ambiente totalmente campestre e natural (foto abaixo, Morro Bradador).

Desta maneira, tem impedido o desenvolvimento de espécies nativas e endêmicas, como a insetívora "Drosera montana", a arbórea "Tabebuia catarinensis", e ameaçado, outras espécies, como Alstroemeria amabilis, descrita recentemente, e conhecida apenas na Serra Quiriri, e na Serra do Mar do Paraná, sempre associada aos campos de Altitude. Além de todas estas considerações negativas, existe o fato de que as árvores de Pinus podem afetar profundamente o regime hídrico do ambiente. institutohorus.org.br/download/fichas/Pinus_elliottii.htm
Distribuição natural do Pinus elliottii (SE dos EUA).
A espécie é um mal necessário, para a construção civil, e produção de celulose, porém em locais adequados, de preferencia florestas devastadas, nunca em um ambiente frágil como os Campos de Altitude, e, utilizando-se técnicas para produção de mudas que não produzam sementes, como acontece em outras culturas, evitando assim sua dispersão.

O lucro de alguns, não pode ficar acima do bem estar da nação!

Erradicar o Pinus elliottii dos Campos de Altitude é uma necessidade urgente!

30.3.09

Pegadas........

Caminhantes e observadores da natureza, se deparam com vestígios, que muitas vezes são imcompreensíveis para as pessoas comuns, no entanto, com um olhar mais atento, pode-se identificá-los, como essa pegada de felino de porte médio, provavelmente uma Jaguatirica ou Gato-maracajá.
Próximo ao rio dos Alemães, entre os fragmentos de Florestas ali existentes, ao longo da Estrada de Três Barras, não é raro encontrar pegadas de Paca Agouti paca, que lembram um pouco as de Capivara, mas são bem menores, como pode ser observado nas escalas das fotografias. A Paca, é um animal muito procurado pelos caçadores, daí, pode-se concluir, que onde tem paca, existe uma rica fauna associada.

Segundo relato de pessoas que conhecem o Alto Quiriri há cinco décadas, a Capivara Hidrocaeris hidrocaeris, é um animal que tem aparecido recentemente na Serra Quiriri, sendo provável, que tenha encontrado um ambiente favorável, nas últimas décadas, pois foi construída uma pequena represa ao longo do rio Quiriri, entre cotas altimétricas aproximadas de 1250-1300m anm, favorecendo a ploriferação desta espécie.

Colaboração e agradecimentos: Bióloga Micheli Ribeiro Luiz
e José Carlos dos Santos Jr.

Projeto Felinos do Aguai.
http://www.felinosdoaguai.com/


Fotos: Biólogo Fábio Vieira

24.3.09

Araçá - Strawberry Guava: Not All Green Is Good

O Araçá Psidium cattleianum Sabine, é uma arvoreta da familía das Mirtáceas, com frutos de cor amarela, até vermelha, muito apreciados para consumo ao natural. Na Serra Quiriri, a espécie possui uma distribuição geográfica, denominada disjunta. Ao subir o Monte Crista, é possível observar alguns indivíduos em Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas, próximo a ponte de arame, onde inicia a trilha. Em praticamente toda a encosta, é uma planta rara, ou inexistente, tornando a ocorrer, próximo aos Campos de Altitude, a aproximadamente 850-900m anm.
O Araçá, foi introduzido no Hawai em 1825, e desde então, tornou-se amplamente espalhado, cobrindo, hoje, quase metade das ilhas (foto), além de: impedir o crescimento das espécies nativas do Hawai, descaracterizar áreas naturais, alterar as comunidades animais, perturbar processos de ecossistemas locais, como a produção de água e abrigar moscas que são pragas na agricultura Havaiana.
Para erradicar a espécie os pesquisadores estão utilizando, um inseto que produz "galhas", e que se constitui em excelente agente biológico no controle do Araçá, pois ataca unicamente essa espécie, não ocorrendo em qualquer outra. O Araçá, é um exemplo, de espécie nativa do Sudeste do Brasil, que tornou-se praga, quando introduzida em local inadequado, além dela, Clidemia hirta, das Melastomatáceas, também é daninha nas ilhas havaianas.

20.3.09

Pesquisadores e Montanhistas

Algumas vezes, pesquisadores e montanhistas são termos diferentes, que acabam sendo reconhecidos, como características ou qualidades, em uma única pessoa. Na foto pode-se observar o "rancho de pedra" usado pelos antigos tropeiros, no Alto Quiriri, e da esquerda para direita L. B. Smith, R. Reitz e o guia Sr. Altmann.
Raulino Reitz descobriu cinco gêneros e 327 espécies novas, foi premiado pela ONU, devido as qualidade das pesquisas botânicas e os serviços em prol do meio ambiente que realizou. Fundou, em junho de 1942, o Herbário Barbosa Rodrigues, ainda hoje sediado em Itajaí. Deve-se a Raulino Reitz a proposta de caracterização da orquídea Laelia purpurata como flor-símbolo do Estado.


Roberto Miguel Klein dedicou boa parte de sua vida ao levantamento fitoecológico da costa atlântica do sul do Brasil,
O meu maior desejo (....). É ver publicada toda a Flora catarinense. Em 1949 veio para Santa Catarina trabalhar com o Dr. Henrique Pimenta Veloso no levantamento fitoecológico da costa atlântica do sul do Brasil, tendo como objetivo estudar o relacionamento das bromélias ou gravatás com a proliferação de larvas dos mosquitos transmissores da malária. Cursou história natural na Universidade Católica do Paraná, de 1960 a 1964.

Lyman B. Smith especialista em todas as bromélias da América, indicou Raulino Reitz para a realização dos estudos sobre a Malária-endêmica no Sul do Brasil. Os pesquisadores citados, foram exemplos dessa união, que inúmeras vezes resultou no aumento do número de espécies conhecidas de plantas pela Ciência.
Reitz e Klein deixaram importante acervo em Herbário com mais de 70.000 amostras coletadas, e uma obra denominada Flora Ilustrada Catarinense, a FIC, que se constitui numa das melhores floras regionais do país, além do Herbário Barbosa Rodrigues, especialmente construído por Reitz para abrigar as coletas metódicas, realizadas no estado de Santa Catarina, durante décadas.
Na década de 1950, Reitz e Klein estiveram 6 vezes coletando na Serra Quiriri, tempo dos ultimos tropeiros....

15.3.09

Encontradas na Serra Quiriri


Begonia garuvae L.B. Sm. & R.C. Sm.

Esta bela planta foi colecionada no Monte Crista em Garuva, Santa Catarina, por Raulino Reitz e Roberto Miguel Klein, recebendo o nome em homenagem ao município que foi encontrada. É uma das espécies coletadas e descritas para a Serra Quiriri, que apresentam distribuição regional, sendo encontrada nas Floresta Baixas de topo de morro, ou Faxinais, bem como nas bordas próximo aos campos de altitude.















Matayba cristae Reitz
Cubatã do monte crista - Esta espécie da família do Miguel-pintado/Cubatã, foi descoberta no Monte Crista, Serra Quiriri em Garuva, Santa Catarina, daí a origem do nome científico e popular.



















Fim de tarde exclusivo na Serra Quiriri, pois observar um visual destes, é um privilégio que dinheiro nenhum pode pagar... (Foto: Julia Meirelles)



















(Os amigos de caminhadas, conversas e descobertas, desde 2004 caminhando entre as nuvens.... Werner, Cristine e Oscar)

10.3.09

Plantas Ameaçadas de Extinção no Estado de Santa Catarina

A "INSTRUÇÃO NORMATIVA No 6, DE 23 DE SETEMBRO DE 2008" trata das espécies ameaçadas de extinção no Brasil, nela encontram-se 33 espécies de plantas ameaçadas de extinção para o estado de Santa Catarina (ver lista abaixo). Outras dezenas são consideradas espécies de status incerto, ou seja, "espécies com deficiência de dados sobre distribuição geográfica, ameaças/impactos e usos, entre outras, não permitindo enquadra-las com
segurança na condição de ameaçadas." Entre as espécies com dados insuficientes, que são listadas para o estado catarinense, ao menos 3 ocorrem na serrra Quiriri, e o Ministério do Meio Ambiente tem demosntrado interesse especial quanto a preservação delas.




O Artigo abaixo é um recorte da Instrução!

Art. 6o Para as espécies com deficiência de dados constantes do Anexo II a esta Instrução Normativa deverão ser desenvolvidos estudos visando subsidiar o Ministério do Meio Ambiente na definição do real status de conservação de cada espécie. § 1o A coordenação dos estudos mencionados no caput deste artigo caberá ao Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e ao Instituto Chico Mendes. § 2o As espécies constantes do Anexo II a esta Instrução Normativa são consideradas prioritárias para efeito de concessão de apoio financeiro à pesquisa pelo Governo Federal.

Espécies com deficiência de dados ocorrentes na Serra Quiriri:

Alstroemeria amabilis M.C.Assis (Alstroemeriaceae)

Trichocline catharinensis var. discolor Cabrera (Asteraceae )

Myrceugenia smithii Landrum (Myrtaceae)



Lista de plantas ameaçadas de extinção em Santa Catarina

Araucariaceae Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze
Arecaceae Butia eriospatha (Butiá) (Mart. ex Drude) Becc.
Arecaceae Euterpe edulis (Jussara, palmito) Mart.
Asteraceae Hysterionica pinnatisecta Matzenb & Sobral (SC )
Blechnaceae Blechnum mochaenum var. squamipes (Hieron.) de la Sota
Bromeliaceae Aechmea apocalyptica Reitz PR, SC, SP
Bromeliaceae Aechmea blumenavii Reitz SC
Bromeliaceae Aechmea kleinii Reitz SC
Bromeliaceae Aechmea pimenti-velosoi Reitz SC
Bromeliaceae Billbergia alfonsi-joannis Reitz
Bromeliaceae Dyckia cabrerae L.B.Smith et Reitz SC
Bromeliaceae Dyckia distachya Hassl. RS, SC
Bromeliaceae Dyckia ibiramensis Reitz SC
Bromeliaceae Vriesea biguassuensis Reitz SC
Bromeliaceae Vriesea brusquensis Reitz PR, SC
Bromeliaceae Vriesea muelleri Mez PR, SC Mata Atlântica
Bromeliaceae Vriesea pinottii Reitz PR, SC Mata Atlântica
Bromeliaceae Vriesea triangularis Reitz SC Mata Atlântica

Dicksoniaceae Dicksonia sellowiana (Xaxim) Hook. MG, RJ - RS
Erythroxylaceae Erythroxylum catharinense Amaral SC Mata Atlântica
Euphorbiaceae Dalechampia riparia L.B.Sm. & Downs SC Mata Atlântica
Fabaceae Aeschynomene fructipendula Abruzzi de Oliveira RS, SC
Fabaceae Mimosa catharinensis Burkart SC Mata Atlântica
Lauraceae Ocotea catharinensis (Canela-preta) Mez PA, RS, SC

Lauraceae Ocotea odorifera (Sassafraz) (Vellozo) Rohwer ES, MG, RS, MA
Lauraceae Ocotea porosa (Imbuia) (Nees) Barroso PR, RS, SC
Lejeuneaceae Myriocoleopsis fluviatilis (Steph.) E.Reiner & Gradst. PR, SC, SP
Malvaceae Calyptraemalva catharinensis Krapov. SC Mata Atlântica
Moraceae Dorstenia tenuis (Violeta-da-montanha) Bonpl. Ex Bureau PR, SC
Poaceae Thrasyopsis jurgensii (Hack.) Soderstr. Ex A.G.Burman PR, RS, SC
Rutaceae Raulinoa echinata R.S.Cowan SC Mata Atlântica
Solanaceae Petunia reitzii L.B.Sm. & Downs SC Mata Atlântica

Solanaceae Petunia saxicola L.B.Sm. & Downs SC Mata Atlântica

Existem 13 bromélias ameaçadas de extinção no estado catarinense, entre elas 7 só ocorrem em Santa Catarina...